Todos os seniores sabem (ou, pelos visto, não) a dificuldade que os jovens criativos têm em dar-se a conhecer e encontrar portas abertas para mostrar o que valem. As oportunidades são escassas e, quando surgem, é preciso agarrá-las com unhas e dentes.
Sendo os concursos de criatividade o nosso “terreno fértil para crescer”, neles damos sempre tudo o que temos, e o mínimo que esperamos das organizações é respeito, reconhecimento, divulgação e transparência. Coisa que não tem acontecido ultimamente. Basta ver exemplos como o mais recente concurso dos Jovens Criativos, organizado pelo CCP, e o concurso dos Young Creatives, organizado pela + Cinema que, a duas semanas do Festival de Cannes, anunciou que não o vai realizar.
Começando pelos Jovens Criativos do CCP, houve uma série de pormenores que estiveram longe de ser justos:
Passagem de Briefing às 15h de um dia de semana. Resultado: Apenas 6 jovens o foram receber. Com um horário tão pouco presencial, outra coisa não seria de esperar. Foi quem pôde, não quem quis.
Ausência de um regulamento. Qual era mesmo a idade limite dos participantes, por exemplo? Quem não sabia as regras do jogo, assim ficou. É que nem o documento apareceu, nem as respostas aos e-mails enviados à organização, chegaram.
Onde estava a short list? Foram apurados um trabalho vencedor e uma menção honrosa, com todo o mérito e talento que o júri (que também não sabemos quem era) terá entendido. Mas mesmo sendo o júri soberano, há direito de conhecer aqueles que estiveram perto de ganhar o prémio. Expor a short list era o mínimo que devia ter sido feito, não só em respeito aos participantes que mais que ninguém precisam de exposição, como até ao grau de dificuldade do briefing, que permitia interpretações e respostas várias.
Passemos ao concurso que apura os representantes de Portugal na Young Creatives Competition do maior Festival de Publicidade do mundo. Foi com grande tristeza, insatisfação e muita revolta, que lemos a notícia veiculada pelo Jornal Briefing, a dar conta que o concurso organizado anualmente pela + Cinema (representante oficial do festival de Cannes, em Portugal) não vai acontecer.
É indecente que este concurso não se realize pela necessidade de uma “profunda reflexão sobre o modelo que temos seguido para a realização do concurso dos jovens criativos”, modelo esse que, caso ninguém tenha percebido, é o mesmo que o CCP utiliza para apurar os seus vencedores. Ou seja, a única dupla que nos vai representar em Cannes, foi escolhida graças a um modelo rejeitado pela própria organização.
Insensato, não!?
Se um ano de reflexão não chegou para “a fórmula ser melhorada”, que se realizasse o concurso pelo modelo antigo. E em vez de concorrermos apenas na categoria de imprensa com uma dupla emprestada, concorríamos em todas as categorias (cyber, Imprensa e TV) tal como aconteceu nos anos anteriores.
Em nome de muitos jovens criativos que, como eu, se esforçam e participam activamente no mercado criativo que temos, sinto-me na obrigação de levantar todas estas questões e expressar a minha revolta em relação à leviandade e quase discriminação com que temos sido tratados ultimamente.
Tal como referia um briefing recente, o mercado da publicidade não anda nos seus melhores dias. Se somarmos a isso a falta de consideração que existe para com aqueles que são o futuro da criatividade em Portugal, então muito pior a publicidade há-de estar.
Dá a tua sugestão para termos alternativas para o próximo modelo de apuramento dos jovens criativos.
E dá a cara para mostrar à D. Ana Paula Costa que, afinal, o jovens criativos que se insurgem, são representativos.